Entrevista
 
 

Entrevista>>Com Kelly Cristina
 
 

maio de 2004


Com apenas 17 anos ela foi selecionada para representar a microrregião Borborema potiguar no Fórum Nacional de Meio Ambiente, realizado em Brasília DF, onde teve posição de destaques ao explanar os problemas ambientais da sua região, o que teve toda atenção da ministra do meio ambiente, Marina Silva, e em conjunto com os demais representantes estão elaborando um plano de ação ambiental que deverá ser enviado ao ministério do meio ambiente ainda no primeiro semestre de 2004. Honrosamente vamos estrear nossa seção de entrevistas com essa jovem Kelly Cristina de Souza que fala com exclusividade ao barcelonabrn.

Barcelonabrn: Até bem pouco tempo você era uma jovem praticamente anônima em nossa região, e hoje você é sediada pela imprensa local o que a tornou numa pessoa conhecida em toda região, quero que você fale um pouco sobre isso.

Kelly Cristina: Sinto-me mais informada sobre o tema ecologia e descobrir que o estudo da conferência me proporcionou a aquisição de uma visão mais crítica sobre as atitudes que cada um de nós devemos tomar frente aos agravos ambientais e, ainda, que se preservar o entorno é tarefa individual, mas, principalmente coletiva de cada cidadão.

Barcelonabrn:: Embora o Brasil tenha uma gigantesca extensão territorial, chegando até algumas vezes a ser tratado como continente, - mas, ao que nos parece, os problemas ambientais de todo o país são na verdade bem parecidos -, isso pode de alguma maneira facilitar no que diz respeito à criação de um plano comum para solucionar tais problemas?

Kelly Cristina: Isto é verdade. Algumas regiões apresentam determinados problemas específicos como:
Enquanto uma região apresenta maiores problemas como poluição - centros urbanos do Sul -, outras têm mais precisamente dificuldades com desertificação, erosão e assoreamento, que é um dos sérios problemas ambientais do Nordeste Brasileiro.

Barcelonabrn: Quais os problemas mais atacados nesse Fórum?

Kelly Cristina: Dentre os principais problemas apresentados tivemos, como lugar de destaque, a questão do rio São Francisco; Os Trangênicos - tema totalmente recusado para sua realização, por se tratar de algo ainda experimental e divergente, até mesmo entre a classe dos cientistas,dentre outros.

Barcelonabrn: Qual a posição da ministra e o que podemos esperar dela em relação a esses problemas elencados?

Kelly Cristina: A Ministra se mostrou entusiasmada com a Conferência e prometeu lutar para colocar em prática as propostas aprovadas.

Barcelonabrn:: Na sua opinião, qual é a importância da participação do jovem na política do país?

Kelly Cristina: Acho super importante. Pois os jovens do hoje são os adultos do amanhã.

Barcelonabrn: Em se tratando desse Fórum, qual será os benefícios que o município de Barcelona obterá por ser ouvido em Brasília?

Kelly Cristina: Um dos principais benefícios é que se mostrou interessado nos problemas ambientais, o que sinaliza uma preocupação com o bem-estar de seu povo - o que não é tão comum em boa parte do mundo, que ainda não acordou para o fato.

Barcelonabrn:: O que você destacaria como sendo de extrema urgência para ser resolvido em nosso município?

Kelly Cristina: Como sabemos falar de meio ambiente, é falar de qualidade de vida da humanidade, o que requer trabalho, moradia, entre outras necessidades. Logo, pensando ser urgente a criação de meios que viabilizem melhorias neste sentido, vejo a agricultura como o principal caminho para nosso caso - já que o município apresenta potencialidade onde dos 154Km2 , apenas 10Km2 é habitado.
Mas para isso vale salientar que é preciso a implantação de um Plano de Desenvolvimento e apoio à Agricultura Familiar, que dê condições e orientações para que este investimento não venha a causar danos ao meio ambiente como: Desmatamento exagerado - daí as erosões -, assoreamento dos rios e até mesmo a contaminação do lençol freático pelos produtos químicos usados como fertilizantes.

Barcelonabrn: Qual a participação do apoio público municipal na elaboração de soluções para esses problemas?

Kelly Cristina: Ainda um pouco acanhada - talvez por se tratar de soluções inovadoras e investimentos em longo prazo - o que deixa a administração receosa.

Barcelonabrn: Desde 1970, na Conferência Internacional de Meio Ambiente, o planeta passou a se preocupar com os problemas ambientais e o Brasil ocupa posição de destaque nessa empreitada com uma respeitada legislação ambiental, mas, na prática presenciamos absurdos como crimes provocados ao nosso principal rio - o Potengi -. O curioso é que nenhuma providência é tomada pelo os órgãos competentes. A quem você atribui tamanha omissão?

Kelly Cristina: Aos Políticos, pois estes são na maior parte das vezes donos de indústrias, responsáveis pela poluição; E, ainda, estes mesmos proprietários - muitas vezes por serem financiadores das campanhas políticas dos governantes, ficam na situação de credores junto a estes, não sofrendo intervenção alguma dentro das punições cabais da lei ambiental.

Barcelonabrn: O que sabemos é que os países tidos como principais potências mundiais: EUA, Alemanha, Inglaterra, Japão entre outros, são mais causadores de problemas ambientais do que os países de menor poderio econômico como o Brasil, isso também ocorre em se tratando de municípios maiores em relação aos menores do nosso estado? Por que ocorre isso?

Kelly Cristina: Isto se deve à tecnologia utilizada por cada cidade. Aquelas que fazem uso de maior procedimento tecnológico, mais entulho tem a jogar no meio ambiente. Como sabemos tal método está intrinsecamente às cidades maiores, o que às tornam maiores poluidoras do que as menores.

Barcelonabrn: Barcelona RN sai a frente nas novas tecnologias na tentativa da redução da problemática ambiental do município, quando estalou em sua sede uma usina de compostagem de resíduo orgânico. Lamentavelmente esta se encontra atualmente desativada,. Gostaríamos que avaliasse o quanto esta usina, em perfeito funcionamento, seria útil para o município?

Kelly Cristina: Em primeiro lugar seria uma fonte de renda para catadores, separadores, entre outros trabalhadores. Como também daria um destino adequado aos resíduos sólidos gerados na cidade - evitando-se que estes fossem jogados em locais não apropriados causando poluição ou, em último caso, tratados poderiam ser comercializados ou utilizados em um Projeto de Agricultura -, já que este é um dos mais ricos fertilizantes naturais.

Barcelonabrn: Tanto se fala em desenvolvimento sustentável. Em se tratando de sua aplicabilidade em nossos resquícios de mata nativa, a caatinga, o que está sendo feito para preservá-la sustentavelmente?

Kelly Cristina: Infelizmente desconhecemos grandes ações neste setor, embora, algumas ONGs (Organizações Não-governamentais), tenham transformado determinadas áreas como espaço de preservação ambiental - que é o caso do Pico do Cabugi.

Barcelonabrn: Na Conferencia Internacional "Rio + 10", que se realizou no continente Africano, em 2002, uma das principais preocupações foi o acelerado processo de desertificação, principalmente no interior do nordeste brasileiro -, a quem se atribui estiagem nessa região e as inundações no sul do país. Gostaríamos de saber se já existe algum plano para conter essa problemática em nossa região?

Kelly Cristina: Desconheço. Colocar em prática a legislação ambiental, urgente no Brasil, já seria um grande avanço. Desenvolver atividades que requeiram desmatamento com uma fiscalização que respeite as leis do entorno, seria de bom tamanho para evitarmos problemas futuros.

Barcelonabrn: O ano de 2003 ficou marcado para o estado do Rio Grande do Norte, pois sua capital Natal começa a elaborar sua "Agenda 21", o que servirá de modelo para outras capitais brasileiras. Esse tema também foi discutido no Fórum Nacional de Meio Ambiente? Barcelona já pensa em adotar a "Agenda 21"?

Kelly Cristina: Sim, tal tema foi discutido. E Barcelona já deu seus primeiros passos. Fóruns de Debates já foram realizados neste sentido, mas, por enquanto, não se têm nada de concreto sendo desenvolvido.

Barcelonabrn:É bem verdade que cidades européias utiliza em seus produtos de comercialização o selo verde, o que informa ao consumidor que aqueles produtos estão dentro dos rígidos padrões de qualidade da ISO 14000 e ISO 18000. gostaria de saber se já existe alguma política brasileira que acene nessas tendências?

Kelly Cristina: Não. Infelizmente a política de conscientização e valorização ecológica no Brasil encontra-se muito a quem do que deveria ser, frente às campanhas publicitárias existentes nos veículos de comunicação de um modo geral. É necessário que nós coloquemos em harmonia a teoria e a prática.

Por: José de Arimater de Souza